Homo Erectus fizeram o Doodle mais Antigo do Mundo - Arte Pre Historica


Desenhos feitos em conchas datados de mais de 500 mil anos atrás comprovam que o pensamento simbólico e a expressão artística não são criações exclusivas dos evoluídos Homo sapiens e nos força a redefinir o que realmente nos torna humanos.

Uma concha encontrada no final dos anos 1800 em Java, a maior e principal ilha da Indonésia, foi estudada recentemente e ostenta marcas que parecem ter sido esculpidas intencionalmente há mais de meio milhão de anos atrás. O que é mais surpreendente é que o criador deste doodle possivelmente foi um ancestral humano: o Homo erectus.


"Esta é uma descoberta verdadeiramente espetacular e tem o potencial para derrubar a forma como olhamos para nossos ancestrais", diz Nick Barton, um arqueólogo da Universidade de Oxford, Reino Unido. Isso causou espanto na comunidade científica porque até então os especialistas ainda acreditavam que o impulso para a Arte é o que nos separava dos primatas hominídeos ancestrais dos quais evoluímos.

Essa ideia apresentou-se plausível devido a estudos feitos em pinturas e entalhes encontrados mundo afora. Dentre as expressões artísticas mais antigas estão as pinturas em formato de "hashtag" em cavernas da Europa (40 mil anos) e gravuras ocre mais simples encontradas na África do Sul (100 mil anos). Todas elas remetem ao homem moderno: Homo sapiens, que surgiu há 200 mil anos atrás.


Até a descoberta e investigação das gravuras na concha, nada relacionado à Arte foi verdadeiramente atribuído aos Homo erectus. Esta foi uma espécie que surgiu na África, há 2 milhões de anos atrás, caminharam até Java, na Indonésia e foram extintos há cerca de 140 mil anos atrás.

A concha, uma espécie de mexilhões de água doce, foi coletada na década de 1890 pelo paleontólogo holandês Eugène Dubois, em um local ao leste de Java chamado Trinil. Lá, Dubois descobriu o primeiro fóssil de Homo erectus: a calota craniana e outros ossos humanos antigos. Ele também trouxe dezenas de conchas escavadas deste lugar. Elas foram examinadas em 1930 e, em seguida, embaladas em uma caixa em um museu em Leiden, na Holanda.

Josephine Joordens

A gravura poderia ter ficado abandonada de estudos mais detalhados, se não fosse por Josephine Joordens, bióloga da Universidade de Leiden. Ela estava trabalhando em um projeto sobre como os Homo erectus usavam os recursos marinhos em Trinil. Ela encontrou apenas conchas de água doce, mas alguns continham pequenas perfurações, alguns milímetros de largura, que foram feitas com um objeto pontiagudo. Isto sugeriu que alguém tinha usado uma ferramenta como um dente de tubarão para abrir a concha.

"Um colega visitou e fotografou as conchas e mais tarde percebi um padrão em ziguezague fraco em uma delas. As pessoas nunca perceberam esta gravura porque é quase invisível", diz Joordens. "É só quando você coloca a luz em um determinado ângulo que ela se destaca."

Close up da gravura, com cerca de 15 milímetros.

Uma inspeção sob o microscópio sugeriu que a gravura foi intencional. Os padrões de intemperismo dos sulcos, cada um dos quais com cerca de 1 centímetro de comprimento, mostra sinais de envelhecimento significativo e não há lacunas entre as voltas, o que indica que o fabricante prestou atenção aos detalhes. "Ele ou ela provavelmente fez a gravura em uma concha recém recolhida e no momento do entalhe se assemelhava a linhas brancas em uma tela escura", observa a equipe de Joordens. Os grãos de areia ainda embutidos na concha foram datados de cerca de 500.000 anos atrás.


Mas isso pode ser considerado como Arte?

"Nós olhamos todas as possibilidades, mas no final realmente temos certeza de que este entalhe deve ter sido feito intencionalmente por alguém que possuía uma ferramenta bastante afiada", diz Joordens. Sua equipe tentou replicar o padrão em outras conchas: "Isso nos fez perceber o quão difícil realmente era", diz ela.

Dizer muito mais sobre a gravura é complicado. "Se você não sabe a intenção da pessoa que fez isso, é impossível chamá-lo de arte", diz Joordens. "Mas, por outro lado, é um desenho antigo. É uma maneira de se expressar. O que se quer dizer com aquele desenho, nós simplesmente não sabemos", acrescenta ela. "Poderia ter sido para impressionar sua namorada, ou para rabiscar um pouco, ou para marcar a concha como sua propriedade."

Clive Finlayson

Clive Finlayson, um zoólogo do Museu Gibraltar, manteve-se bastante agnóstico sobre a possibilidade de chamar o Homo erectus como o artista que fez os Doodles. "O que é mais importante é a crescente percepção de que habilidades como pensamento abstrato, uma vez atribuída unicamente ao Homo sapiens, estavam também presentes em outros humanos arcaicos. Nós realmente precisamos rever os conceitos de que a Arte é objeto exclusivo dos Homo sapiens e fazer um balanço sobre nossa ideia de humanidade e sobre o que realmente nos distingue dos nossos antepassados", diz ele.

Fonte e agradecimentos: Nature News

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